As horas

janeiro 5, 2008

As horas
Virginia Wolf

Nelly é ela mesma, sempre ela mesma;
sempre grande e corada, majestosa, indignada,
como se tivesse vivido a vida toda numa era de glórias
e moderação que terminou para todo
o sempre uns dez minutos antes de você
entrar no aposento (onde Nelly se encontra)
…Como é que se lembra de ser, como é que consegue,
todos os dias e todas as horas, ser tão exatamente a mesma?

…Sente dentro de si um segundo
eu quase indescritível, ou, melhor dizendo,
um eu paralelo, mais puro. Se tivesse religião,
chamaria isso de alma. É mais
do que a soma de seu intelecto e de suas emoções,
é mais do que a soma
de suas experiências, embora corra pelos três…”

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