Desânimo

fevereiro 13, 2008

DESÂNIMO
Martinho Ferreira de Lima
O que se pode fazer da vida quando,
Não há mais nada enfim para fazer;
Nem avançar, nem parar, retroceder,
E mesmo assim ter que seguir andando.

Somente resta um coração pulsando,
Para um insípido e cinza amanhecer;
Ah quem me dera pra sempre adormecer,
E nunca mais ter que acordar chorando.

Vou tropeçando e caindo contrafeito;
O gosto amargo na boca, a dor no peito,
Mas se eu soubesse com fervor orar;

Imploraria a Deus em última prece,
No último sopro de vida que eu tivesse,
Pra nessa terra eu nunca mais voltar.
 

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`Poema Cósmico

fevereiro 12, 2008

POEMA CÓSMICO
Martinho Ferreira de Lima
Quando na órbita da terra um ser levita,
Pelo espaço sem fim em sombra imerso,
Numa galáxia distante um outro habita,
No limiar dos confins do universo;

Nesse recôndito lugar onde transita,
Há um conceito de tempo bem diverso,
Mas o exilado do cosmos, o eremita,
Na escura solidão compõe um verso.

Perante o abismo imenso de beleza,
Extasiado contempla a natureza,
E vê os astros que brilham nas esferas;

Mas seu poema cósmico se faz triste;
Nos humanóides da terra vê que existe,
Um primitivo prazer de serem feras.

Eu vejo

fevereiro 12, 2008

EU VEJO
Martinho Ferreira de Lima

Eu vejo a dor na face dos que penam,
Mas não tiveram do mundo a compaixão,
E perdoando não culpam, não condenam,
Nem a revolta lhes chega ao coração;

Eu vejo os lenços brancos que acenam,
Pois não enxergam na guerra a solução,
E entretanto os fortes, os que ordenam,
Na ambição de poder negam perdão;

Eu vejo um dia melhor onde a ciência,
Seja usada enfim com consciência,
Não a serviço do ódio que destrói;

E vejo a era de um homem diferente,
Onde harmonia e paz mostrem pra gente,
Que a semente do amor, amor constrói.