Canto

fevereiro 26, 2009

Canto
Luis Henrique M. Trindade

Na minha alma, como escultura
cavado, nesta manhã de calma
rasgando, encontrando aberturas
para o nascer da nova alvorada!

Pássaros libertam mais um gorjeio
ao ver o corpo descoberto e pousado
sobre a maciez do cântico do teu peito
que derruba muros, é pleno e pausado.

Os olhos já não chegam para tanto
o canto ofusca a visão do amanhecer
quando em mim, já não mais o pranto
da solidão a me abraçar e me querer.

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O amor que em mim havia

fevereiro 17, 2009

O amor que em mim havia
Luis Henrique M.Trindade

O meu ser cedia à beleza
sem lembrar que de onde eu vinha
estive eu feito uma presa
cativo em outras entrelinhas.

Dia e noite, noite e dia,
povoava o meu pensamento
a umidade daquela poesia
nublando o meu tempo.

Sentia o cheiro de canela
dos carinhos inda guardados
o corpo colado ao teu sem paralelas
alucinado pelo gosto do pecado.

Via o perfume do alecrim
nas cores fortes da aurora
chamava de amor que nunca senti
e o gemido do momento de glória.

Tua boca clamava por mim
no calor das madrugadas
eu sentia o aroma de jasmim
e me perdia nas horas encantadas.

Era amor, feitiço, era laço
me levava do início ao fim da estrada
beijava os poros e cada pedaço
enraizando na minha alma calada.

Há um verso

janeiro 17, 2009

Há um verso
Luis Henrique M.Trindade

Há um verso que me toca como lábios
carnudos, cheio de vida e sustância
há um verso que conversa feito boca
com língua úmida me dá outra esperança.

Há um verso que na nudez beija minha face
desnuda o dia e a noite da minha alma
há um verso de palavras de amor e de ternura
que passeia bem lá dentro, levando a amargura.

Há um verso colorido sem palavras decoradas
uma poesia liberta com um nome revelado
há um verso escrito num folha avermelhada
onde eu tão distraído, me quedei apaixonado.

Há um verso que como vento me transporta
para onde o inverno não me deixa mais com frio
há um verso silencioso que me faz sentir mais forte
abraça o meu peito, dando vida à minha morte.

Corpos cativos

outubro 30, 2008

Corpos Cativos
Luis Henrique M.Trindade

O entardecer iluminava
o roçar dos nossos ombros
o silêncio no colo se sentava
num pouso cálido e amoroso.

Estrelas desciam do firmamento
em mais uma noite estrelada
na sombra do breve momento
nas horas…leves e esperadas.

Flautas em acordes melodiosos
dançavam à luz daquela prata
um baile de corpos cativos
numa mescla suave e iluminada.

E por mais que alguém quisesse
ofuscar o sol ardido da existência
por dentro, o brilho era a prece
por fora…de joelhos, a evidência.

Breve

outubro 17, 2008

BREVE
Luis Henrique M. Trindade

Num espaço tão curto
meu ego, eu vasculho
feito criança no casulo
breve…um breve mergulho.

O corpo num copo de flores
raízes numa rosácea de amores
a silhueta tomando cores
à sombra de amenos odores.

Na loucura, inferno tecido
sobressalto com o erudito
num espantoso ostracismo
breve…num breve abismo.

A conversa, pelo vapor envolvida
palavras, pela tempestade amortecidas
formando nas verticais linhas
breve…um breve sopro de vida.

Escombros

outubro 10, 2008

ESCOMBROS
Luiz Henrique M.Trindade

Um retrato amarelado na parede
A ventania armada bate portas e janelas
sobre a escrivaninha, um livro velho e desbotado
uma pena…um tinteiro
vazio já da tinta avermelhada!
O amor se partia ao meio
se acabava como a chama fraca de uma vela
a inspiração jogada nas margens de uma ribeira
onde pássaros ja não mais cantavam!
Não havia mais alegria e nem imaginação
o amor na verdade nunca existiu
tinha sido apenas uma mera ilusão
hoje plantadas as sementes do sofrimento
segue o poeta pranteando o lamento
no rosto o sorriso
mas já morto por dentro!