O universo

agosto 17, 2008

O Universo
Augusto Donizete

Morria no canto, na penumbra
morto no desencanto, sem fartura
morria o gosto da brandura
morto na tristeza, na amargura.

Morria pela voz tinhosa
do servo que a Deus servia
e na madeira em cruz cuspia
morto, pela serpente venenosa
que ao demo também servia.

Morto-vivo no esgoto padecia
morria vendo a própria sangria
no negrume de tantas vidas.
Morria assim toda utopia
morrendo na coreografia
da mente insana, na demagogia.

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