Sob o olhar do unicórnio

outubro 10, 2008

SOB O OLHAR DO UNICÓRNIO
Adelia Santarém

Unicórnios alados
embriagam-se das palavras
espelhadas pelo triste luar
em cada verso, em cada frase.

A íris aberta pousa na poesia
regada a vinho e hortelã
das contínuas primaveras
que resistem ao inverno do meu ser.

Pegadas suaves vão deixando
em cada pedaço do meu avesso
adentrando no noturno universo
e me despem a bel prazer!

O som das asas insones se alastra
pela noite ainda fria e enluarada
quando no contemplar dos unicórnios
deixo frases ocas do meu interior escorregar.

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Memórias

setembro 3, 2008

MEMÓRIAS
Adélia Santarém

Ouço o som da tua voz nas minhas memórias
E a melodia de amor me afagando em sonhos
Um acalento que me faz bem, belas histórias
dos carinhos e gestos, do teu olhar tão risonho.

O teu perfume impregna as paredes do quarto
o aroma se espalha pelo ar e então eu viajo
a lembrança do teu cheiro invade o meu olfato
fecho os olhos, procuro teu corpo, mas não acho…

Nossos corpos se encontravam em carinhos
nos beijos e nas tantas juras secretas de amor
queimavam nossas peles e todo o nosso ninho
ardiam em labaredas, tão intenso era o calor!

Na chama forte dos nossos corpos entrelaçados
nossas almas se completavam e se realizavam
nas suaves carícias adormecíamos abraçados
sob a luz da lua, que sorrindo, nos abençoava.

Pássaro

maio 12, 2008

Pássaro
Adélia Santarém

Abro minhas asas e me solto no vento
sou pássaro livre em busca do meu eu
cruzando os mares e na linha do tempo
sigo o destino que Deus me concedeu.

Minhas asas delineiam no ar o mundo
onde o horizonte encontra o verde do mar
e na pintura é o teu rosto o pano de fundo
a dar forças para que eu continue a voar.

Sou um pássaro voando ao sonho do infinito
tentando te encontrar e alcançar o amanhecer
viajando léguas, às vezes magoado e ferido
pois sou pássaro com alma de uma mulher.