Analfabeto
Junho 5, 2009
Analfabeto
Pedro Luiz Arengo
No ar sofisticado o assunto parecia banal
uma matéria estranha, cheia de misérias
numa pauta onde o som estranho e mau
era do meu próprio momento de espera…
A vitalidade da escrita eu já não sentia
descreviam os meus olhos o amargo sal
num letreiro sem significado, sem vida
sem assimilar idiomas ou coisa e tal.
Meu pensamento rejeitava e demolia
qualquer informação, nada era especial
estava eu dentro da minha periferia
ignorante de mim, num interno vendaval.
Nada dizia, coisas sem conteúdo e nexo
folhas amareladas…nenhuma expressão
era eu na longa distância, o analfabeto
inerte, sem driblar a amarga solidão.
Sal da Terra
Junho 5, 2009
Sal da Terra
JoseCarlosIozzo
Manancial de plumas e verdes folhagens
onde em paz pulsa toda a minha ardência
num prelúdio de amor consagraste a unidade
acendendo luzes num instante de vivência.
Meu pulsar evidencia o tamanho da imensidão
quando me brindaste com o abençoado fruto;
num sonho deste ao meu sangue toda a emoção
de sentir e tocar o infinito do teu eu profundo.
Como que adormecido num sono brando de pureza
vi as ramas da minha matéria unificadas as tuas
com aromas brancos e pétalas mais que perfeitas
senti-me jardineiro numa colheita de finas uvas.
Da abundância da tua fonte de rosado orvalho
e das tuas entranhas de frescor tão cintilante
ouvi o prodígio de um repouso extraordinário
de ser pela vez primeira, uma pedra fulgurante.
Em silêncio senti a grandeza da tua fonte nua
enquanto astros culminavam na voz de um anjo
e se minhas veias se iluminavam com o clarão da lua
dos meus olhos, as lágrimas eram de puro encanto.
O jardim de versos da minha vida recebia o calor
exaltava o único e real momento quando o sopro
numa sucessão contínua e ardente de amor
arqueava ante meu Deus, minha alma e corpo.
No meu peito, a tua essência, o teu âmago foi lavrado;
nas minhas mãos, pousada a pequena rocha, o apogeu;
e as palavras passaram a não ter nenhum significado
ante o momento que tu, Maria-Mãe, me concedeu.
Maria-Aquário onde é meu, o rio de amor a desaguar
transbordaste tuas águas na secura do meu ocidente
brandamente, sobre a árida paisagem, foi o teu amar
a florir este deserto, com a gema santa do teu ventre.
Tu, Maria dos anéis de arco-íris e sorriso ternurento
és o sal da terra que a nada receia nem se esconde,
carregas a força das marés cheias no teu centro
apondo pedra sobre pedra com a garra de Maria-fonte.
Pirâmide
Junho 5, 2009
Pirâmide
Milamarian
Azulada… tem muito de marfim
do tornado, é grito arrancado
ao vento sem volta, o passado
multicor… nas esquinas de mim.
Sorri com lábios ensolarados
na cor de céu, a concha carmim
recolhe a alegria inaudível e sem fim
e aquece-me no sentido nacarado.
Solidária, pela solidez, par ligado
nos milímetros, na régua da vida
três faces e coração abençoado,
silente recolhe tudo no esquadro
no ditar das mãos, a doce acolhida
onde o roçar é do som aveludado.
Palavras
Junho 5, 2009
Palavras
Ademir Ribeiro da Silva
Palavras tuas,
que me fazem pensar
aquecem suavemente
quando partilhas teu dom…
Palavras de contorno e compreensão
de coisas que te rodeiam
onde consigo me encontrar.
Palavras que contam tudo
que com o tempo passam a signifcar
palavras com real sentido
palavras tecidas de luz
palavras que em mim espalham
o verbo amar.
Encontro
Junho 5, 2009
Encontro
Laura Passos
Nas cores fortes da terra
um rastro de luz se expande
enquanto meus olhos procuram
pelas palavras já esquecidas.
É aqui que deságua, bem ao lado
duas lágrimas formando um lago
onde o azul do céu derrete e junta
à cor dourada das lembranças.
Então, meu pensamento fala contigo
em sílabas espaçadas, mas cálidas
aquecendo a fonte transparente
ao contato luminoso da brisa calma.
Anjo Negro
Junho 5, 2009
Anjo Negro
Monica Regina Ventura
Anjo negro que persiste
fúria, rebeldia em mim
tua energia é de posse
minha realidade é desejo.
Anjo rebelde que domina
pensamentos e atormenta
tu és a parte negra do meu eu
dando outra forma ao meu ser
transformando meu universo
mostrando meu avesso.
Duas piruetas
Junho 5, 2009
Duas piruetas
Osmar Dias Silveira
Deparei com o vôo suave e gracioso,
de cores quentes e vibrantes
um espetáculo de perfeição e arte
nas asas da borboleta rosa e carmim.
Suas asas delicadas não pediam licença
sobrevoavam as margens do imenso rio
junto à correnteza da água cristalina
abriam e fechavam numa paz imensa.
Náufrago, eu raspava a pedra e admirava
seu bater de asas num voo tão tranquilo
enquanto ela me dava a impressão
de sorrir silenciosa, seu olhar só para mim.
Ia-se o tempo, as horas e o momento
bordava nos meus olhos extasiados
toda aquela imensidão de amor
a delinear no espaço, uma nova emoção.
Mas não tardou a noite e a chuva fina
amedrontada, abriu as asas com firmeza
deu duas piruetas numa triste despedida
e se foi, na correnteza, na busca de um novo rio.
QUASE TUDO PASSA
Junho 5, 2009
Quase tudo passa
Sheila Belchior
Passam pessoas,
relações vazias
momentos fracos
decepções e ilusões
a dor de te procurar
e o desejo de te amar
passa e te deixo seguir
num voo livre
quando não posso partir.
Passa a hora forte
sem eu mesmo sentir
passa tudo que é passado
até mesmo o que eu pensei
que fosse eterno,
vejo agora ruir.
Passa o vento
flores e estações…
quase tudo passa
só não passa a lágrima
a dor de saber
que existe um fim.
MEU TEMPO
Junho 5, 2009
Meu tempo
Adelson Gonçalves
Meu tempo é de crescer
de criar e construir
semear e colher.
Sentir a flor desabrochar
observar o mar a se mover.
Meu tempo é para ver arder
a fibra cravada nas entranhas
o amor enlaçado pela garganta
a alegria de saber viver
sentir a força de quem quer renascer.
A hora me senta na cadeira
para assistir a suavidade
do teu tempo de amor e garra
ver o teu sorriso aberto
um sorriso encontrado
entre minhas lágrimas de desespero.
Esse é o meu tempo
quando elevo minhas mãos
e o teu sorriso de vida
quebram os rochedos
desta tão grande angústia
na distância que não existe
entre almas irmãs
neste minuto que afirma
a felicidade que carrega
este meu coração.
DAS FLORES QUE EU NÃO COLHI
Junho 5, 2009
Das Flores Que Eu Não Colhi
Marcelo Manzano
Posso dormir e acordar
sem a minha própria presença
mas não posso sequer pensar
em me manter sem a lembrança
da doçura do teu olhar,
do teu suave caminhar
quando flores eu não colhi.
Ainda assim, sem flores colhidas,
se esta for a minha realidade
certamente serei eu
somente um corpo vazio
a transitar sem rumo
perambulante no tempo.
MEU PERDÃO
Junho 5, 2009
MEU PERDÃO
Jorge Humberto
Rude e intempestivo, pedra lascada na rua,
assim sou eu, neste meu aprendizado…
meu medo agora: deixar alguém magoado,
porque não meço minha força, nua e crua.
Muito já mudei, muito mais há pra mudar…
verdadeiro até ao castigo desassombrado…
por isso perco mais do que ganho, aliado
que sou do Homem correcto, a preservar.
Mas amando hoje, como a ninguém amei,
saiba eu aí então proteger esse alguém,
das minhas garras férteis, como só eu sei.
Porque a felicidade dessa pessoa importa
aqui destacar, como ela não tem ninguém…
Ah, não mais, a flor no chão, jazendo morta.