Abreviação

Fevereiro 26, 2009

Abreviação
Osmar Dias Silveira

Nos meus olhos abrevio
o tempo e a distância
entre o tudo e o vazio
que na noite me alcança.

Sonho com a dança das horas
adormecido no cruel silêncio
vivo no olhar, a cor da rosa
a quem não mais pertenço.

A primeira primavera
quando flores acolhiam
o meu corpo junto ao dela
no respirar da alegria.

As raízes entrelaçadas
do corpo até a boca
dançando nas madrugadas
a canção surda e rouca.

Canto

Fevereiro 26, 2009

Canto
Luis Henrique M. Trindade

Na minha alma, como escultura
cavado, nesta manhã de calma
rasgando, encontrando aberturas
para o nascer da nova alvorada!

Pássaros libertam mais um gorjeio
ao ver o corpo descoberto e pousado
sobre a maciez do cântico do teu peito
que derruba muros, é pleno e pausado.

Os olhos já não chegam para tanto
o canto ofusca a visão do amanhecer
quando em mim, já não mais o pranto
da solidão a me abraçar e me querer.

Água de amor

Fevereiro 26, 2009

Água de Amor
Conceição Ap.Marques

Deixa a voz do amor falar
esquece a matéria
deixa de lado o passado,
seja como a água
que corre e lava a terra.

Deixa o egoísmo esquecido
na estrada da vida,
lembra que há alguém ao lado
que é como a flor murcha e cansada
que necessita de água para sobreviver.

Abre as portas do coração
deixa fluir o sentimento
esquece a mágoa, a dor
vive e sente o momento.

Deixa a voz do Criador
falar mais alto e te tomar
esquece a matéria
seja apenas Água de Amor.

Fio da minha existência

Fevereiro 26, 2009

FIO DA MINHA EXISTÊNCIA
Milamarian

Traço sutil, inocente bordado
um tênue, flexível e dócil fio
em profundo ardor a descer rios…
na ribeira minha, tão esperado.

Fio ardente da minha existência
se demorasse em mim este tanger
de gigante dormitado em meu ser
não orava eu, hoje em reverência.

O templo transparente, sem matéria
não pronunciava a candura silente
junto à amplidão terrena e etérea;

nem plumas ascender-se-iam aos céus
quando viajasses tua mão benevolente
de Mestre amoroso a amparar o seu novel.

Tu e Eu

Fevereiro 26, 2009

Tu e Eu
Vanda Baldessin

Duas almas
dois corpos
duas faces
diante de Um.

Vida

Fevereiro 26, 2009

Vida
Ademir Ribeiro da Silva

Nenhuma matéria no universo
pode, como tu, introduzir em mim
a harmonia, a luz e o amor
Tu és como a fonte que jorra,
vibra fortemente e corre
por dentro e fora.
Um fluxo contínuo de amor
trazendo contigo no nascer do sol
na primeira alvorada
o teu sentimento sagrado.

É como se o teu todo estivesse em mim
celebrando mistérios
absorvendo a minha atmosfera.

Como não ansiar por esta vida
abundante em ti
e me saciar dela?

Fevereiro 26, 2009


Lucia Morinaga

Já não notava mais
a falta do seu nome
já não pedia sais
não tinha sede e nem fome.

Na trilha por onde caminhava
já não havia estrela nem sol
já não sabia se morava
no crepúsculo ou no arrebol.

A curva da estrada entornava
numa sucessão de passos
e sucessivamente repousava
o coração vazio, a alma sem compasso.

Pulsação

Fevereiro 26, 2009

Pulsação
Olívia Maffei

Palavras esquecidas
apelos atendidos
num súbito morria
lentamente
o deserto que havia
toda dor um dia sentida
a solidão que habitava.

Ocorria o prodígio
amanhecia o milagre
na profundeza do meu eu
nas entranhas amarguradas.

Pulsava forte no meu peito
o renascer que o tempo me concedeu.

A gota

Fevereiro 26, 2009

A GOTA
Milamarian

Adormecida qual luz cristalina
nas plangentes cordas da viola
em profundo sono se encaracola;
mas no sonho…é gota bailarina…

Pudera aos borbotões alcançar
o caudal da lua transparente
e no véu do regato dormente,
fora mel, na folha a orvalhar…

Sonhara assim por toda noite
c’o grugrulhar da seiva quente
a percorrer qual ciclone em açoite,

e o riacho em outros tons fizera
num molde sem nenhuma pence
o canto e prece dos olhos dela.

Entre o ir e o permanecer

Fevereiro 17, 2009

Entre o ir e o permanecer
Pedro Luiz Arengo

Num emaranhado hesita o meu peito
absorto nas palavras, meu pensamento!
A alma rota e até mesmo cansada
circula na tua imensidão…extasiada

O vento invisível bate forte nas vidraças
enquanto o tempo pulsa, o anseio me abraça
à beira deste papel eu deito a confusão
que insiste em repousar o meu coração.

As entranhas repetem a mesmice de sempre
são verbos que vem e vão, são insistentes!
refletem o meu centro na razão acorrentado
brilhando minha carne, nos olhos atordoados!

Não sei se me vejo na fúria da correnteza
ou na mansidão das águas da jovem ribeira…
dissipa-se mais este instante, permaneço calado
sem saber, se na razão continuo, ou se para ti eu parto.

O amor que em mim havia

Fevereiro 17, 2009

O amor que em mim havia
Luis Henrique M.Trindade

O meu ser cedia à beleza
sem lembrar que de onde eu vinha
estive eu feito uma presa
cativo em outras entrelinhas.

Dia e noite, noite e dia,
povoava o meu pensamento
a umidade daquela poesia
nublando o meu tempo.

Sentia o cheiro de canela
dos carinhos inda guardados
o corpo colado ao teu sem paralelas
alucinado pelo gosto do pecado.

Via o perfume do alecrim
nas cores fortes da aurora
chamava de amor que nunca senti
e o gemido do momento de glória.

Tua boca clamava por mim
no calor das madrugadas
eu sentia o aroma de jasmim
e me perdia nas horas encantadas.

Era amor, feitiço, era laço
me levava do início ao fim da estrada
beijava os poros e cada pedaço
enraizando na minha alma calada.

Abraça-me assim

Fevereiro 17, 2009

ABRAÇA-ME ASSIM
Jorge Linhaça

Cola teu corpo cansado no meu
dá-me teus braços em volta de mim
diz-me, baixinho, que ainda sou teu
anjo sem asas, o teu querubim.

Cola teus lábios ardentes aos meus
mata-me a sede na fonte do amor
fala baixinho, que nunca esqueceu
a juras feitas nas noites de ardor.

Rasga-me a roupa, faz-me teu homem,
atiça o fogo do meu coração
e nessas chamas que já nos consomem

deixemos arder a nossa paixão
em nossos corpos que ora explodem
num goso quente, d’amor e tesão

Meu lugar

Fevereiro 17, 2009

Meu lugar
Ademir Ribeiro da Silva

O meu lugar é prestar culto
te deixar povoar as minhas obras
onde descrevo a tua poesia.

Ser o místico de qualquer cidade
te sentindo por completo num repente
noite após noite viajar
no teu corpo de maria.

Desencanto

Fevereiro 17, 2009

DESENCANTO
Sandra Mamede

Tracei caminhos

Nos meus sonhos com você

Que ficaríamos juntos

Mas somente a solidão me restou

Você era a minha vida

Meu eu, meu destino, meu futuro

Sem você nada importava

Pois em tudo você estava

Você se foi…

Sozinha me deixou

Num labirinto sem fim

Que em torno de mim se formou

Sofri o abandono

Agonizei no desprezo

Chorei por amor

Sufoquei a minha dor

Engoli o meu pranto

Fugi dos desencantos

Em que você me deixou

Então com garra levantei-me

e a poeira sacudi.

Abandonei os seus braços

Consegui fugir…enfim

E encontrar a mim