Fortaleza

Janeiro 17, 2009

Fortaleza
Selma Dias Paulino

Aceitar de alma livre
as alegrias e dificuldades
caminhando firme e confiante
rumo a um futuro de amor.
Em cada momento, a cada passo,
a cada circunstância,
responder com a voz do coração
repleto de palavras de ternura
a este processo que nos leva
à glória, à conversão.
Falar de amor, de paz com muita fé
perseverante nas convicções
nos valores recebidos
no nosso berço de amor.
Deixar como herança
o aprendizado sábio obtido
nesta missão tão especial.
Uma fortaleza de carinho
onde o que se colherá
será a semente plantada
pelas nossas próprias mãos
o fruto amadurecido
das flores concebidas
no nosso leito de amor e sagrada união.

Renascer

Janeiro 17, 2009

RENASCER.
Osmar Dias Silveira

Renascer, fechar os rasgos

lamber as dores e as feridas

a cadda morte consumada

em cada momento de vida.

Renascer e viver o hoje

para um amanhã logo mais,

daqui a pouco

com o cansaço do ontem

apesar dos traumas e das marcas

das cicatrizes ainda úmidas.

Renascer no meio da multidão

num sentimento confuso

no caos armado

do lodo vingativo

cujo nome é medo, solidão.

Renascer para sobreviver

sem desistir de mim mesmo

sem me abandonar no ledo engano

de pensar que já morri

que amor é mera palavra

pois imperativo no momento

é apenas viver.

Nas cento e oito badaladas

Janeiro 17, 2009

NAS CENTO E OITO BADALADAS
Milamarian

Silêncio… Ouço o som:
cento e oito badaladas
abençoam a fértil seara
no fervor de u’a oração.

Voa a alma ao santuário
encerradas as abreviações
cerro os olhos… uno estações;
verto em sangue: És tu palácio

onde minha maior porção
humilde, prostra e agradece
na simplicidade do condão;

o fino bronze do alvorecer
nos dizeres de amor em prece:
É de ti, seara, todo meu ser.

Há um verso

Janeiro 17, 2009

Há um verso
Luis Henrique M.Trindade

Há um verso que me toca como lábios
carnudos, cheio de vida e sustância
há um verso que conversa feito boca
com língua úmida me dá outra esperança.

Há um verso que na nudez beija minha face
desnuda o dia e a noite da minha alma
há um verso de palavras de amor e de ternura
que passeia bem lá dentro, levando a amargura.

Há um verso colorido sem palavras decoradas
uma poesia liberta com um nome revelado
há um verso escrito num folha avermelhada
onde eu tão distraído, me quedei apaixonado.

Há um verso que como vento me transporta
para onde o inverno não me deixa mais com frio
há um verso silencioso que me faz sentir mais forte
abraça o meu peito, dando vida à minha morte.

A grande alegria

Janeiro 17, 2009

A Grande Alegria
Jose Carlos Iozzo

Nesta noite, a flor traz uma suave cantiga
junto ao berço, cantarola a música de ninar
soam palavras na história mais bela e antiga
que me fazem até a pequena Belém viajar.

“Há dois mil anos veio ao mundo
o Deus-Amor, no corpo de uma criança
concebido no ventre sagrado e fecundo
para trazer ao universo, paz e esperança.

José e Maria deixaram a sua Galiléia
despedindo-se de Nazaré e de seus amigos
rumo à pequena cidade Belém, na Judéia
numa viagem de dificuldades e perigos.

O dia já se findava, era quase noite
longe, avistaram as luzes da cidade
José procurando lugar para o pernoite
pois sua Maria já respirava com dificuldade.

Sem pensar duas vezes, José rapidamente correu
chegava o esperado momento, a hora sagrada;
mas só encontrou um lugar modesto e pobre
onde deitou sua amada esposa no leito de palha.

Nasceu assim o menino Jesus sobre o monte de feno
José pegou a criança e apoiou sobre o peito da mãe
envolveu-no em faixas; na manjedoura pousou o pequeno
para protegê-lo do frio, bem perto dos animais.

Naquela mesma hora sobre as formosas colinas
alguns pastores envoltos em mantas bem quentes
cuidando dos seus rebanhos, numa noturna vigília
avistaram a luz que emanava a Estrela do Oriente.

Anjos diziam: Não temais, eis que vos anuncio
é grande a alegria, hoje nasceu em Belém
o Salvador, Senhor dos Senhores, de Deus, o Filho
o Cristo Amor, Rei dos Mares, Céus e todo além.

Um coro celestial encheu o céu com o mais lindo canto
“Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos homens que ele ama.”
Desapareceu a luz, e os pastores se entreolharam com espanto
perturbados com aquela visão e com aquelas palavras.

Colocaram-se a caminho em busca da alegria anunciada
logo encontraram Maria, José e o Menino e se ajoelharam
adoraram o Pequeno, com a felicidade no rosto estampada
o Filho de Deus, o Cristo Rei diante deles, a quem louvavam.

Maria sorriu ao Menino Deus, cheia de encanto
Seu nascimento havia devolvido a esperança
aos simples pastores que voltavam ao seu rebanho
louvando a Deus, pela chegada da Santa Criança.”

Pintura

Janeiro 17, 2009

Pintura
Agostinho Viana

Amarelado como o horizonte
me sinto apenas um retrato
triste, pelo tempo apagado
como velho papel no monte.

Hoje, fico olhando à minha frente
o olhar cavado jaz sem nenhuma fé
corpo pálido, pede clemência até
à tela que domina a minha mente.

A boca se abre num rasgo e contorce
enquanto a fogueira arde bem dentro
come em brasas de fora para o centro
me conduz ao negro quadro da morte.

O lume magro descai e a luz se apaga
quando eu mesmo fechei o meu postigo
enclausurado em mim, sou eu meu inimigo
onde nem a lembrança aqui se salva.

Entre pedras e espinhos

Janeiro 17, 2009

Entre pedras e espinhos
Orlando Nazareno

Não há dor que não se cure
não há mal que permaneça
somente os corações puros
podem amar com real pureza.

Vi o mar ficar bravio
vi o céu acinzentar
logo após o sol surgiu
e os pássaros voltaram a cantar.

Há uma estrada a minha frente
há muitas pedras no caminho
recolho todas bem contente
e com elas construo um abrigo.

Entre tantas flores eu vi
crescer a erva daninha
a erva nunca se fortaleceu
e morreu triste e sozinha.

Não fosses tu

Janeiro 17, 2009

Não fosses tu
Marcelo Manzano

Não fosse a tua beleza rara
como as flores pelos campos
à pureza do ar não se elevasse
nenhum perfume, nem um canto.

Seria lento e cansativo, o silêncio
a voz da alma teria outra proporção
sombras morreriam nas ondas do mar
a primavera, um triste abandono.

Repousaria eu, o corpo cansado e nu
contra o vento, vencido pela ilusão
as janelas fechadas à qualquer luz;
reclinariam à púrpurea solidão.

Lá, onde a água corre sorridente
surgiriam apenas espumas sem sabor
a verdade arderia num repente
afogaria eu num mar de desamor.

Hora de amar

Janeiro 17, 2009

Hora de Amar
Jorge Linhaça

Os velhos ponteiros
singram o mar do tempo
frisando com suas asas leves
as águas do rio da emoção

Silenciosos, os outeiros,
ouvem sussurros no vento
e derretem no cume a neve
c’os ardores da paixão

É a hora do amor verdadeiro
que apaga do peito o lamento
e afaga , qual pena, de leve
a macia pele do coração.

Erramos

Janeiro 17, 2009

Erramos
Abel F.Acerra

Naquele dia houve um erro
Eu, tu e o silêncio
Nós três erramos
nas palavras que deixamos.

Calados, bem discretos
com o senso à flor-da-pele
nada dissemos, sequer olhamos
as folhas desprendendo-se dos ramos.

Tanto que pensei e não falei
tudo que em vão, ou nada que dei
tanto que amei e surdo nem ouvi
tu a seguir para bem longe de mim.

Há momentos

Janeiro 17, 2009

Ha’ momentos
Claudio Madeira

Ha’ momentos que o rasgo na alma aparece
quando a escuridao noturna nao adormece
ja’ que o brilho falso, transversal da lua
mascara a face com o espelho da tua.

Temo a solidao e vou subindo cada degrau
em passos lentos tateando quica’ algum sinal
minhas maos fechadas iluminam apenas o nada
onde as flores tecidas declinam sem a’gua.

Ah…sol! Acende o poco negro e profundo
enquanto o centro do rio, sem piedade engole o mundo
antes que o silencio do sarca’stico abismo convoque
os pe’s acorrentados do morto-vivo no leito de morte.

A janelinha da vida

Janeiro 17, 2009

A JANELINHA DA VIDA
ALBA VERANO

Caminhávamos de mãos dadas,
a minha à frente, no comando da pequena
era eu a sua guia, e com firmeza arrastava
a tua, para onde bem entendesse…

Iniciativas minhas, tu me seguias
muitas vezes, tu querias liberdade,
se soltar e caminhar sozinho,
no entanto eu nunca permitia.

Longos anos se passaram
nesta rotina diária…
numcontínuo bem querer
de querer somente a ti proteger…

Um dia, porém, com espanto assisti
as posições das mãos se inverterem!
Tu seguraste as minhas
nas escadas, a me socorrer!

Foi então que pude perceber
que tu já estavas crescido
encaravas a vida e obstáculos,
disposto a me proteger…

Vi com alegria, pela janelinha da vida
o processo definitivamente invertido;
tuas mãos a levarem as minhas
pela graça da união, amor e fé.

Transição

Janeiro 17, 2009

Transição
Pamela Viana

Meu momento é de transição
entre a palavra sabiamente proferida
e o gesto mal intencionado.

Meu momento é de transição
entre o que poderia ser feito
e o que não deveria ser dito
o bem que haveria de ser semeado
e o mal que necessitava ser cortado.

Meu momento é de transição
entre o olhar que não poderia existir
e o gesto que deveria ser evitado.

Meu momento é de transição
entre o sentimento que me corrói por dentro
e a dor que poderia ter sido evitada.

Rumo ao sentimento pleno

Janeiro 17, 2009

Rumo ao Sentimento Pleno
Helena Maranhão

Algumas condições se impõem para o sentimento pleno.
É indispensável que se crie um ambiente onde se celebre a melodia do amor,
em toda sua forma, através de palavras e atitudes.
É necessário que haja uma perfeita simbiose,
uma união espiritual entre versos e gestos.
É preciso ter unidade entre o corpóreo e o sideral;
e esta junção interior no ritmo de louvor e oração.
Como um canto ritmado, meditativo, tranquilo e reflexivo,
adequado, preparado e executado pela alma;
uma melodia que se completa num rito de magia à plenitude.

Se me deixasses partir

Janeiro 17, 2009

Se me deixasses partir
Ademir Ribeiro da Silva

Se eu partisse agora
levaria tão pouco de mim.

Pesaria sobre meus ombros
o mar noturno da noite de verão,
quando o teu rosto umedecido
pelo leite da lua mansa
sorriu a pétala aberta
da rosa da esperança
arrancando do meu interior
minha vida, e toda a velha lembrança.

A tua pele

Janeiro 17, 2009

A TUA PELE
Sheila Belchior

Tua pele tem aroma de ambrosia
gosto de hortelã, de fruta abusiva
no suor, o pecado da carne ardente
com a força do teu sangue quente.

Tua pele tem cor de noite e de dia
de água de praia em plena maresia
encosta e me queima em louca paixão
oscila a minha entre a loucura e a razão.

Tua pele é fascínio que me seduz
é caminho que ao paraíso me conduz.

Com amor nunca seremos um só

Por mais que brigamos, discutimos coisas sem muita importância, nunca seremos um só.
Nosso pensamento único, diferentemente por razões simples, foi feito para tê-lo de forma ao que nosso entendimento, intelecto, as várias faces de ver as coisas, ou até mesmo de obtermos através da paciência, dando o devido tempo, e aprendermos, que o que é prioridade para uns para outros não o são, e temos que ter a ousadia de vivenciar tudo isso harmoniosamente.
Essa é a verdadeira paz, a que tantos homens lutam para conseguir e implantar.
Deixando o egoísmo de lado, a nossa vontade pode não ser a primeira coisa observada pelo outro em termos de importância, pois somos um só.
Nem por isso amamos menos.
Nem por isso detestamos alguns assuntos.
Nem por isso podemos ser rotulados de incompreensíveis, descuidados, ou até mesmo relapsos, pois somos únicos. Somos um só.
Mesmo que amemos desesperadamente, tenhamos ciúmes, não enxerguemos a liberdade que vai ao coração de cada um.
Liberdade de pensamentos, liberdade de ações, liberdade para poder te dizer o quanto você foi, é, e sempre será a mulher da minha vida.
A pessoa que aos olhos de Deus um dia nos abençoou, nos uniu, no amor, mesmo sendo cada um, um. E assim seremos pelo resto de nossas vidas.
Um, e por mais que queiramos moldar a pessoa a que tanto queremos bem, a que escolhemos para passar o resto de nossa vida, seremos um.
Podemos sim juntar as coisas em comum. Coisas a que juntos conseguimos alcançar na graça a que nos foi dada por Deus.
O nosso conforto, o nosso bem estar, o nosso dia a dia, mas desde o primeiro raio do sol, que nossos olhos veem, são únicos, só nossos.
Essa é a verdadeira forma de ver o mundo, de ver as belezas a que somos brindados, tanto em forma de visão, audição, paladar, olfato, coisas talvez que passa despercebida no dia a dia, na correria na busca contínua de conseguirmos mais e mais.
Talvez até para agradar o outro, ao grande amor de nossa vida.
Talvez até em busca disso tudo nos esquecemos do mais importante.
Somos um só.
Mas isso não quer dizer que queremos ficar só. Afinal desde que temos notícias, de vários povos, civilizações, ninguém vive isoladamente.
Algumas pessoas já tentaram, mas creio que não fomos feitos para isso.
Queria compartilhar nesse momento a alegria de estar vivo, de poder dizer aos quatro cantos:
-Eu sou um cara feliz.
Eu fui abençoado ao te conhecer, ao me aproximar, ao ter trocado os primeiros olhares verdadeiros e sinceros, que até hoje estão em minha memória.
Se você até perguntasse o que me despertou tudo isso, poderia te dizer sem sombra de dúvida, foi um beijo no rosto, que recebi em forma de agradecimento, mas que felizmente resvalou em meus lábios.
E de lá pra cá você veio fazer parte de minha vida, meu cotidiano, meu passado, presente e futuro.
E por falar em presente sem sombra de dúvida, foi um presente de Deus. O melhor que recebi, sabe por que, porque aprendi a duras penas que somos um só.
E mesmo sendo um só, meus pensamentos, os que verdadeiramente me cercam, são verdadeiros, íntegros, completos, são os que estão comigo nesses últimos trinta anos.
Lembro-me desde os primeiros momentos difíceis a que você foi testada, e que convivi juntamente a sua dor, seu sofrimento, e tentei acompanhar par e passo,
Mas também acompanhei suas alegrias, e embora talvez tenha sido esquecido pelo tempo, são as que também marcaram a minha vida.
E como marcaram.
A vinda do primeiro filho, da filha, o que nos completaram sobremaneira, e isso ninguém poderá apagar em minha memória.
Problemas todos tivemos, de ordem financeira, afetiva, e até mesmo discordâncias, mas jamais afastou de mim a possibilidade de vivenciar isso tudo e sabendo que a cada tempo novos desafios seriam colocados em nossos caminhos.
O tempo foi outro grande presente, pois nos mantiveram sóbrios, lúcidos, para nosso dia a dia, e apesar de avós (primeira referência que a idade chegou), fez se de forma branda, pois aprendi também que ainda é uma mulher madura, mas cheia de vida e linda como sempre foi, talvez não tenha dito, talvez por falta de oportunidade, ou talvez por comodismo, ou sei lá por que. Nunca dei referência de quão bela a achava e acho, mas isso não vem ao caso.
O importante que apesar de sermos um só.
Um só pensamento, uma só vontade, um só desejo, nunca deixei de amar, do fundo de meu coração.
Talvez até sem muita explicação plausível do porque de tudo isso agora, e já passado tanto tempo, mas nunca é tarde de mais pra te dizer, que apesar de sermos um só, apesar dos erros e acertos, talvez até um mais que o outro, mas que serviram pra aprender muitas coisas nessa vida, uma das quais, talvez a maior de todas, é saber com todos os sentidos, que te amo de mais.
E por último o presente a que nosso filho juntamente com sua mulher, nos deu, o neto, veio coroar com júbilo toda essa felicidade.
Apesar dos pesares, dos obstáculos que nos foram impostos pelo tempo, apesar das horas sofridas, das lágrimas, dos desconfortos da alma, dos abismos de problemas a que passamos, de todas as tormentas, ficou algo muito valioso, a esperança no amanhã, de dias melhores, isso nunca perdi as esperanças.
Nunca parei de acreditar, nunca deixei que o que me maltratava, pudesse ser maior que minha vontade de superar todos esses obstáculos, pois sempre acreditei, eu uma coisa muito importante.
O amor supera tudo e a todos.
Os meus erros, talvez fossem os mais fortes e inesquecíveis, e sei que apenas uma borracha não conseguiria apagar, mas acredito no amanhã, pois comigo não foi diferente, nunca levei em consideração as coisas que eram diferentes de meus pensamentos, vontades, por que sei que somos um só.
E mesmo um só, um só pensamento, uma só vontade, aprendi e descobri como é bom te amar.

Roberto F Storti
Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2008
Código do texto: T1263160

Lembranças

Janeiro 17, 2009

Lembranças
Nanci Laurino

Lembranças são como livros que guardamos na estante da sala.
Quando queremos vivenciar algo, basta relembrar!
Ao repaginarmos a memória, lá encontramos
fatos que nos trouxeram paz, alegria e contentamento!
Que possamos sempre, mesmo com muitos problemas, lembrarmos de doces acontecimentos…
Esses que nos dão bom ânimo para a vida!
Os ruins, ahh os ruins…..
São páginas viradas, de nada valem a não ser experiências guardadas
Para bem vivermos!

Ritual de Iniciação

Janeiro 17, 2009

RITUAL DE INICIAÇÃO
Jorge Humberto

Corre vagarosamente, pelo seu leito,
o caudal de um rio, que me lembro, desde
sempre, ali existir e de lá me banhar,
enquanto criança, junto com meus amigos,
que, tal como eu, tinham asas, que era
todo o deslumbre, da natureza, à descoberta.

Tudo era enorme e sem fim à vista, e, as
grandes montanhas, eram, desde tempos
remotos, a conquista maior, a ser alcançada,
povoando nossos sonhos irrequietos, noite
e dia, ao olharmos aqueles grandes penhascos,
onde a neve persistia, durante todo o ano.

Diziam os mais velhos, que por lá existia uma
grande variedade, de animais selvagens, desde
alces a ursos a matilhas de lobos, correndo sem
descanso, até alcançarem, suas presas aterrorizadas,
pelo espectro da morte inevitável, e, que, os lobos,
finda a caçada, uivavam, ante a sua conquista.

Não temendo estas histórias, preparamo-nos para
subir a grande montanha, no dia seguinte, bem
agasalhados e de mochila às costas, onde havíamos
posto, toda a comida possível, para que nada nos
faltasse, em nossa empreitada, mas, desde cedo,
deparamo-nos com enormes obstáculos, à causa.

Isto porque a cada passo dado, dois atrás se seguiam,
atraiçoados pelas falsas pedras, que se deslocavam e
rolavam montanha abaixo, deixando-nos assustados,
na eminência de uma queda fatal. Incentivando-nos uns
aos outros, sem temor, prosseguimos lentamente, e, aos
poucos, fomo-nos aproximando, do desejado cume.

Por fim a glória era nossa, quando, exaustos de todo,
nos achamos no cimo da temida rocha, jogando
tudo para o chão, e, a plenos pulmões, nossa alegria,
fizemos ecoar, pelos vales vizinhos. E assim, a meio tanta
magia, num círculo eterno, olhos nos olhos, sorrimos:
deixáramos de ser crianças, para nos tornarmos homens.