UMA AVE NO CÉU… UMA FLOR NO JARDIM
Dezembro 5, 2008
UMA AVE NO CÉU… UMA FLOR NO JARDIM
Palavras leva-as o vento, ao sabor da seara…
porém há as que ficam gravadas, no nosso
coração, para todo o sempre.
No esplendor do jardim, entre urzes, sândalos,
recordações, feitas de ensinamento, fazem de
nós pessoas mais completas, pois se guardamos,
o que é de bom guardar, também libertamos
o amor, que foi nosso, enquanto aqui reinou.
Tal como brisa ou vento, na copa das árvores,
seguindo seu procedimento normal, ou a acalmia,
que sentimentos bons, nos traz, tudo isso é
regido pela natureza, assim nós, filhos dilectos…
que têm de aprender, que tudo que nasce e morre,
num ciclo invariável, trazendo tristeza às folhas,
que, em solidariedade, se vão espalhando pelo chão,
apenas morre para os olhos, que o demais é connosco.
Quanta estrela nos guarda à noite… quantas as aves,
poisando junto a nós, parecem segredo dirigir-nos…
sendo agnóstico, acredito, que são os que partiram,
tentando saber de nós, fazendo-se linda lembrança…
e que devemos colher, como flor brotando do chão…
que, depois de fenecer, ainda guarda a beleza ida,
e, sem esmorecer, à chuva e ao vento permanecerá,
que, de nosso amor, regressará, pois não existe olvido.
Assim, chegando a morte, é apenas e só a carne que
deixa de existir… tudo o mais, o carinho, o afecto, o
amor, prosseguirá sua demanda, através da família…
em cada gesto tido, em cada palavra dita, preservando
a sua existência, com todo o respeito e dignificante
honra, fruto de seu ensinamento, para com cada um de
nós… por isso, devemos deixar partir, quem agora se foi,
numa liberdade plena, força conjunta, de ambas as partes.
Se assim não for o sofrimento colherá tudo o que é graça,
em cada um de nós… não há liberdade que resista, e,
vendo bem as coisas, egoístas nos tornamos, pois só pensamos
em nós e na nossa tristeza. Deixemos partir em paz, quem
já não se encontra em presença física, entre nossas pessoas,
mas que espera, que a recordemos em felicidade, levando sua
palavra, a quem dela necessita, fruto de seu conhecimento,
relegado em nós… nisto bate em uníssono os corações.
Jorge Humberto
Erros e acertos
Dezembro 5, 2008
Erros e acertos
Sei que o sentimento está associado ao coração, mas sentimento, não sabemos bem onde ele se aloja em nosso corpo, se no cérebro ou no pescoço, ou por todo ele, ou em lugar nenhum.
No cérebro sei que temos lembranças, tem uma partezinha lá pra armazenarmos isso, agora onde fica essa po… que faz a gente sorver em lágrimas tem hora.
Acho que o nosso senso de comparação anda muito aflorado, pelo menos o meu está.
Mas deixo a vida me levar, há coisas na vida que só o tempo conserta, não adianta forçarmos a barra, a paciência é uma das maiores virtudes no ser humano.
Peço a Deus todos os dias que me dê juntamente com uma boa dose de discernimento, para analisar de tudo que aprendi e apliquei, tudo que errei e arrependi, e tudo que acertei e segui em frente, buscando novos desafios, e vendo que era nos erros que passei a acertar.
Nossa vida é igual aos lances livres de uma partida de basquete, devido a pressão do dia a dia as vezes acertamos, outras não, somos passíveis de erros e acertos, por isso que existe o lápis e a borracha.
É um continuo aprendizado, ao qual acreditamos ser nosso crescimento espiritual.
Roberto F Storti
Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2008
Código do texto: T1253946
A vida ensina
Dezembro 5, 2008
A vida ensina
Adelson Gonçalves
A vida das coisas simples mas belas
do mundo de manhãs sem cortinas
onde portas e janelas sempre abertas
saúdam o sol sem falsidade e mentiras.
Da luz que se vê no alto das montanhas
e da água que escorre pelos telhados,
da lua que cruza o céu e alcança entranhas
deixando o sol renascer, secando o orvalho.
A vida ensina…
sem livros, com pequenas verdades
quando todos vêem o mundo feio e roto
e nuvens amareladas mostrando a idade
enegrecendo os olhos que enxergam tão pouco.
O dorso da vida endurece s rugas
ensina em cada linha marcada do corpo
enquanto os olhos vertem as cores das lutas
travadas debaixo de diferentes gotas de chuva.
Os punhos se cerram e aprendem quando há luz
que a grama nem é negra como parece
que a estrela no céu pode ser rosa ou azul
quando não se falsifica o sentido interior
enquanto o escaravelho grita no escuro
que predomina o verde na verdade que não se oculta.
Raízes
Dezembro 4, 2008
Raízes
Vanda Baldessin
Quando as raízes estiverem fortalecidas
fixa o olhar no horizonte e chama meu nome
com o alvorecer do teu olhar.
No afago das tuas mãos, a Eternidade
Dezembro 4, 2008
No afago das tuas mãos, a Eternidade
Sem perceber
tu me dás o canto do silêncio
velando minha alma
numa veloz caminhada.
É tua maneira de entoar
com os cristais das tuas mãos
o hino de louvor que aquece
trazendo também raios do sol.
Bailam nos teus dedos
as pétalas mais suaves
das primaveras exuberantes.
Tuas mãos descrevem…
o mar de tranquilidade que afaga
minha matéria, minha alma.
Ademir Ribeiro da Silva
Silêncio
Dezembro 3, 2008
SILÊNCIO
Sheila Belchior
Havia uma luz que se fazia noite
uma escuridão tão profunda
que ajeitava minha alma no silêncio.
Um silêncio que perturbava e me feria
trazia o gosto da saudade
o amargo do vazio.
Contrariando meus sonhos
a luz não se distanciava
continuava em mim, a magoar
sem se importar com o nada
que restava dentro de mim.
Vem
Dezembro 3, 2008
Vem
Valdir Leitão
Se tu me desses tua mão
e me deixasses sussurrar ao teu ouvido,
tocaria os teus lábios com a língua
respirava no teu corpo e esperava
para me deitar e fundir em ti,
completo.
Um
Dezembro 3, 2008
Um
Jose Carlos Iozzo
Acordo e vejo pelas frestas da minha alma
o novo raio de sol preparado para iluminar
o quarto sem solidão, onde em paz e calma
distingo tua silhueta, o meu sagrado altar.
Rendadas cortinas atenuam teu suave relevo
entregue ao sono pelo tanto que eu percorro
de olhos abertos e fechados, num eterno enlevo
ao sentir a cadência do respirar suave e morno.
Misturados os aromas, junto aos pés do leito
soergo-me nos braços do amor e fico então
a te admirar quase menina, o amor-perfeito
que preenche meu peito de carinho e paixão.
Sinto dor! É tão imensa e incontrolável sensação
que meu peito não resiste e um suspiro escapa
da alma desalinhada e longe de qualquer razão
num contínuo querer ficar, sem nenhum mapa.
Firmo o meu espírito ao teu, ao corpo adormecido
agradeço este descontrole, ao Infinito, ao Perfeito,
a dádiva de ter sido nas formas do teu ser absorvido;
sentir que não sou mais metade, sou em ti, um inteiro.
No rio da vida
Dezembro 3, 2008
No rio da vida
Joana Pompeu
Na rapidez das águas correntes
que descem as corredeiras eu vou,
na tentativa de vencer as pedras.
Minha esperança ganha força enquanto corro
enfrentando intempéries,
contra a força da correnteza
seguindo adiante, em busca do meu sonho.
Luz e escuridão
Dezembro 3, 2008
Luz e Escuridão
Madalena Ribeiro
Havia o tudo e o nada
quase ao mesmo tempo
o paraíso que acalmava
logo depois, o adeus
que açoitava.
A luz que era dia
iluminava e aquecia;
a escuridão da noite
no momento da partida.
Um paraíso de sonhos
um abismo de despedidas
na página da ilusão
no diário da vida.
Sou daqui
Dezembro 3, 2008
Sou daqui
Valéria Nascimento
Sou daqui deste lugar
onde a água é cálida
e corre em abundância.
Sempre fui daqui
deste único lugar
onde o caminho dos meus pés
alcançam até onde eu quiser.
Mísero minuto
Dezembro 3, 2008
Mísero Minuto
Abel F.Acerra
As palavras cresciam
confusas, inseguras
na carne quente
com ferocidade subiam
corriam como sombras
pelo sangue vermelho.
Havia o mundo lá fora
onde o silêncio gritava
nas pequenas raízes da lua.
Dentro, a autenticidade
das nossas almas
no amor;
intactas, inalteradas
nos rios da paz interior.
Dormiam sobre as folhas do vento
nas sementes do silêncio
no momento sublime da posse.
Pupilas invadidas, órbitas tomadas
o semblante suado no teu regaço.
Nada destruía o mísero minuto
a força se mantinha redonda
na harmonia do universo mudo.
Era a espinha transversal do desejo
do sentimento, do mistério
no momento que o tempo era só carne.
Único caminho
Dezembro 3, 2008
Único Caminho
Sucedem estradas longas
únicas, possíveis de percorrer,
trilho alheado de qualquer vida
me mantendo iludido no caminho
no percurso desta vivência.
Aceito sem questionar a existência
sem medo de ir bem mais além
de enveredar as trilhas e conhecer.
Reconhecer e ver nas horas
o próprio ciclo de momentos
triunfando sobre o vazio
ascendendo ao Mestre celeste e terreno.
Ademir Ribeiro da Silva
Vazio
Dezembro 3, 2008
VAZIO
O vazio tomou conta de mim
Nada sei explicar, senão a imensa dor da saudade.
Os dias passam, não te vejo.
Não tenho seu carinho, seu ombro amigo, seu ninho.
Não posso ser egoísta nessa minha dor,
Sei que outras pessoas já faz feliz na sua nova morada.
Sua vitalidade ainda está marcada nos meus dias,
Nada fenece em um coração que ama,
E nas lembranças vivas em minha mente.
Quisera eu poder saber onde estás,
E com certeza meu mais doce beijo enviar.
Sinto na face seu último beijo,
Assim me conforta os dias em que não te vejo.
Dizer nunca mais, é muito tempo,
Sei que um dia te verei, assim penso e desejo.
Meu primeiro aniversário sem você.
Triste é saber que não mais te verei.
Sentir você sei e sinto.
Tudo que me ensinou levo comigo.
Sua doçura, bravura e mesmo persistências
Marcam sempre minha existência,
E assim sigo firme tendo em mente
Que nao perderei você,
Pois em meu coração vive presente.
Nanci Laurino
Café na cama
Dezembro 3, 2008
Café na cama
Acordar mais cedo, hoje eu queria
Antes mesmo do sol raiar
Preparar teu desjejum com maestria
De vagarinho ir te levar
Vasilhas cuidadosamente arrumadas
Amparadas à mesinha de café
Guloseimas, sucos e frutas
Pão com manteiga, leite, café
Uma bela flor do campo
Acompanhado de um bilhete
Nas palavras vontades, sentimento
Agora um único desejo
Amanhã acordar eu espero
Muito antes de seu despertar
Roberto F Storti
Publicado no Recanto das Letras em 19/10/2008
Código do texto: T1236652
A florzinha amarela
Dezembro 3, 2008
A FLORZINHA AMARELA
Jorge Humberto
Levando cuidado, no caminhar sobre as rochas,
que espreitam, lá em baixo, o mar, salpicando
tudo à sua volta, num frenesim de águas revoltas
e de espuma, como crinas ao vento, dirijo-me
para uma flor amarela, junto ao precipício, nascida
entre duas pedras, com algum musgo, ao seu redor.
Chegando ao destino, eis reparo, como a bela flor,
contra todas as intempéries, cresceu farta e de cor
bem prenunciada. Ali o vento sopra perigosamente,
e um passo em falso basta, para irmos de encontro
às águas perigosas, que não cessam sua grand fúria,
em ondas simultâneas, batendo de encontro à frágua.
Cabelos esvoaçando, sem tino, decido-me sentar-me,
junto à flor, que, melhor do que eu, suporta o vento,
parecendo-me feliz, pelo poiso encontrado, onde,
todas as manhãs, recebe o alvor do calor do sol, que
a vai alimentando, com a sua fotossíntese, que água
não lhe falta, subindo pelas feridas abertas, na rocha.
Ainda fascinado, com a nossa florzinha amarela, que,
sem pestanejar, mantém-se firme nas suas pedrinhas,
com algum esforço, consigo tirar do bolso, do casaco,
um bloco de apontamentos e um lápis, e, inspirado,
por esta força da natureza, inicio uns versos, minha
sentida homenagem, numa indelével recordação à flor.
Mal eu reconheço minha letra, pois o vento não dá
tranquilidade, para mais. Entanto, terminado o poema,
despeço-me da esplêndida flor, que me soube incutir,
estas palavras, que vos deixo, de um momento factual,
quase insólito, que chamou minha veia poética, para
que a beleza não ficasse escondida, ante nossos olhos.
De facto, a natureza, é pródiga, em nos surpreender!