Hoje

Novembro 12, 2008

Hoje
Claudio Madeira

Fosse hoje, eu vivente livre
feito águia ou prece
pudesse voar e sair de mim
fugir da realidade que me tem,
voava eu algures no mar, bem longe…

Fosse minha fé de barro solto
de negro silvestre, sem compaixão,
transformava letras no papel manchado
ardia os teus olhos em labaredas
na girândola, na chama da felicidade.

Estivesse o meu eu distante
dos odores tranparentes
num mar azul bem diferente,
no crepúsculo fazia de ti, a esmeralda
ou estrela-guia a caminho do meu Deus,
buscava a aventura dos teus sonhos desfeitos
viajante livre com dever cumprido
na paz interior e sem grilhetas.

Expurgava do teu peito
a velha mágoa que te pesa
com o ardente desejo
de estar muito além da voz
das palavras tecidas
neste mar divino e ileso.

Apetecia-me descalçar os apertados pés
pegar a minha consciência e dizer:
Sou eu, o único culpado!

Mas o absurdo da verdade,
da realidade sem peias
que expõe tantos vazios
mostra a sequência coerente
que me domina e me trava.

Sem delongas aprofundo as razões
penso nos alicerces elaborados
no impulso que me move
sem escolha à outra dimensão.

Apetecia-me cumprir o sacrifício
e como prece alcançar outros mares
saciar tua sede de ser livre
santificar tua carne sem meu nome.

Bela dama

Novembro 12, 2008

Bela dama
( dos Santos )

Bela dama, dama minha
Dizes hoje teus motivos
Para assim eu entender
Qual é o teu capricho?

Eterno bem querer
Ilumina essa estrada
Escreve em belas linhas
O verso nunca dito
Uma rima e seus motivos

Pois;
Amar é um eterno risco
Que se atreve ao rabisco
Viver sem ter motivo.

Ah…E o pensamento

Novembro 12, 2008

AH… E O PENSAMENTO
Jorge Humberto

Definitivamente o frio veio para ficar.
Estando nós no Outono,
recuso-me a pensar, como será, em
chegando o nada flexível Inverno.

As mãos gelam-me os pensamentos,
que faço tenção, de aqui deixar
registados, assim tento abster-me,
do quarto gélido, e, fazer de mim,
uma força concordante.

Meus pensamentos primeiros, vão para
ti, força motriz de meu ser, às vezes
triste e revoltado, com toda a miséria,
que, as gentes, insensíveis, não cuidam
de reparar, numa total indiferença,
para com os demais.

Preso, braços e pernas, assim vivi anos,
num cubículo minúsculo, tentando
soltar-me das amarras,
que me impunham, na infância, entre
falsas crenças e maledicência, com as quais
devia pactuar, enquanto braços e pernas
definhavam, para agrado de muitos.

Porém crescendo, fui-me libertando,
fugindo da mentira e criando meus
próprios pareceres, ideias e ideais, baseando-me
na experiência, que a vida me deixava, e,
no muito que fiz questão de ler, sem preconceito,
pela leitura escolhida, pois só lendo as várias
opiniões, fui redigindo e firmando a minha, até
aos dias de hoje.

Tudo tem o seu quê de verdade, o mal é o
maldito fundamentalismo, consumindo as
pessoas, até à sua ignóbil membrana, cegando
o ser humano, até ao mais irracional de si mesmo.

O único livro verdadeiro é aquele, que as pessoas
escrevem no seu dia-a-dia, sendo humildes para
consigo e os demais, criando um bom ambiente,
à sua volta, e, daí, crescerem felizes, por se
sentirem parte integrante, de algo verdadeiro e único.

Pedra sagrada

Novembro 12, 2008

PEDRA SAGRADA
Milamarian

Sentenciou-me o oráculo:
“Veste o cerne e te completa;
nas tuas entradas submersas
moldar-te-á cubos ao abáculo!”

Pedra! Fizeste-me ser mosaico,
embutir os veios e recortes
salgar a pele à tua até a morte
c’o ventre aceso de cim’abaixo.

Na mó impressa, tu, sarilho
em pequenas cores e delineios
dispondo desenhos no ladrilho,

vieste a mim qual chuva ao solo
consagrar searas, ser-me o leito
quando em ti me corroboro.

Vazio

Novembro 12, 2008

VAZIO
Nanci Laurino

O vazio tomou conta de mim
Nada sei explicar, senão a imensa dor da saudade.
Os dias passam, não te vejo.
Não tenho seu carinho, seu ombro amigo, seu ninho.
Não posso ser egoísta nessa minha dor,
Sei que outras pessoas já faz feliz na sua nova morada.
Sua vitalidade ainda está marcada nos meus dias,
Nada fenece em um coração que ama,
E nas lembranças vivas em minha mente.
Quisera eu poder saber onde estás,
E com certeza meu mais doce beijo enviar.
Sinto na face seu último beijo,
Assim me conforta os dias em que não te vejo.
Dizer nunca mais, é muito tempo,
Sei que um dia te verei, assim penso e desejo.
Meu primeiro aniversário sem você.
Triste é saber que não mais te verei.
Sentir você sei e sinto.
Tudo que me ensinou levo comigo.
Sua doçura, bravura e mesmo persistências
Marcam sempre minha existência,
E assim sigo firme tendo em mente
Que nao perderei você,
Pois em meu coração vive presente.

No entardecer

Novembro 12, 2008

No entardecer
Manoel AD Ferreira

Baixa tarde, mansa lua
visto negro e me vou
no rastro certo da amargura
do ponteiro que em mim girou.

Amorno o peito na oferenda
daquele verso que me restou
umedeço a voz com a sentença
que para sempre me condenou.

Vem solene e me envenena
num silêncio perturbador
tem o nome de ti, morena
que já não tem por mim, amor.

Cumpro assim, um ciclo a mais
o meu destino? Tristonho, te esperar
contando horas, lamentando ais
morrendo aos poucos por te amar.

Atrás do meu silêncio

Novembro 12, 2008

Atrás do meu silêncio
Luz Sampaio

Atrás do meu silêncio,
semente de palavras
ainda não germinadas,
aguardam o tempo certo
de serem cultivadas…

Atrás do meu silêncio,
luzidio momento de paz,
sinfonia suave, brisa serena,
prece e reflexão…

Atrás do meu silêncio,
uma pausa,
uma auto-observação de uma alma
em busca da perfeição…

Ruas vazias

Novembro 12, 2008

RUAS VAZIAS
Marques Branquinho Jr.

No outono a luz se entristece
folhas cobrem as aldeias
onde a solidão não aquece
mas no peito é dor que queima.

Em passos lentos volto ao casebre
onde nada, nem ninguém me espera
o vento sopra frio e não amortece
esta saudade que sinto dela.

No ar, o odor das ceias antigas
não alimenta a alma faminta,
tem aroma de insana escuridão

castiga o meu ser que dela afastado
por orgulho, repelido e desgastado
perdeu a vida junto à multidão.

Apenas um vazio

Novembro 12, 2008

Apenas Um Vazio
Sandra Cristina Modesto

Um corpo vazio que ficou
Palavras de saudades
areia grossa na garganta
cicatrizes na memória.

Uma despedida em silêncio
o sentimento ficando
naquela solidão que se definia
pela distância e pelo tempo
sem mistério, nítido.

Ficou apenas um vazio.

Um copo amargo de melancolia
onde se bebe a amargura
da verdade tão sofrida.
Nada muda, nada vai nem vem
o espelho se racha ante o espanto
da sombra fria, de um ninguém.

Na sua Pátria

Novembro 12, 2008

Na sua Pátria
Madalena Ribeiro

No descompasso do meu peito
no ritmo do meu sangue
que em ardência lateja nas entranhas,
desnudo a minha alma
arranco o véu das minhas palavras
respiro o cheiro da sua terra
me deito na nudez da sua pátria.

Espelho quebrado

Novembro 12, 2008

Espelho quebrado
Olga Maria da Cunha

O espelho se partia ao meio
as luzes se dissipavam
enquanto a noite descia lentamente
como véu negro
num entristecido dormir sem ti.

Os olhos atormentados
pelo ar vermelho que maltratava o rosto,
de encontro à escuridão da lágrima
que corria e morria nos ressequidos lábios.

O peito numa pujante dor
sendo levado pelo sal
das salgadas ondas de amargura
aprisionado na asfixiante ausência.

O oceano negro abria os braços
derrubando as muralhas sem formas
e colocava o meu eu em ti
na distância maior que havia
enquanto tu em algum lugar
comigo já não mais dormia.

A alma do guerreiro

Novembro 12, 2008

A ALMA DO GUERREIRO
Jorge Linhaça

A alma do guerreiro repousa em calma

no seu elmo alado voa a sua utopia

dentro do peito refloresce a luz do dia

a cachoeira marulha ecos, acalma.

Repousa o guerreiro, assim enternecido,

respirando os ares comovidos da paz;

nesse doce encanto que a paisagem lhe traz

esquece os clamores de guerra nos ouvidos.

Rastejam serpentes nocivas aos seus pés.

Despe-se, o guerreiro. de todo o seu medo,

pois a verdade é o seu galardão de fé

A sua pureza d’ alma é o seu segredo

Que ranjam os dentes , os presos das galés!

Segue o guerreiro, tendo em Cristo seu rochedo.

Abra a porta e deixa Ele entrar
Helena Maranhão

É com o coração que enxergamos claramente;
sem traves, sem barreiras,
vemos a imensidão do amor do Pai.

O que é importante, especial, essencial,
é invisivel aos nossos olhos.

Deus bate suavemente nas janelas
como brisa morna chega às portas do coração.

Abra a porta e O convida a entrar,
intimamente Ele te alimentará
sentará em tua mesa
a ceia será farta
sua sede de respostas
Ele saciará.

Abra a porta e deixa Ele entrar.

Desejo

Novembro 12, 2008

Desejo
Alessandra Meurer

Talvez hoje a luz se transforme em escuridão
num negro profundo que compõe os meus medos
quando tudo que eu sinto eu já não posso mudar
e se converte em dor de saudade dentro do peito.

Hoje , quem sabe debaixo deste céu estrelado
entre as estrelas das lembranças ajeitadas
no mais profundo da alma tão solitária
eu sinta que um dia por ti eu fui amada.

O vento da noite me dá como presente
a saudade de estar contigo uma vez mais
de sonhar sem me importar com o amanhã
contrariando a razão que devora minha paz.

Analiso tudo o que já passou procurando ver
um espaço diferente nesta enorme distância
que se aportou do nosso lado, bem dentro de nós
mas não dissipa essa ânsia insana de te amar.

Altar iluminado

Novembro 12, 2008

Altar Iluminado
Ademir Ribeiro da Silva

O caminho estava cavado
sulcos profundos circundados
pelos raios de sol que batiam na face
e morriam bem aqui dentro.

No pensamento haviam flores
penteavam teus cabelos molhados
e a luz que vinha do luar
atingiam meu interno num louco querer te amar.

No coração, uma pétala rosa
sentada no ar aguçava a imaginação
me prendia nas saias do tempo
e me jogava de encontro à ilusão.

A boca te desejava e mordia o vento
que coroava com açucenas a sua fronte,
eras minha mulher imaginada
a que me povoava, a mais desejada.

Meus olhos respiravam água do mar
que chegava à praia e cantava teus segredos
transformava tua bronzeada pele
em altar iluminado onde eu rezava.

Vitoriosa

Novembro 3, 2008

Vitoriosa
Jose Carlos Iozzo

Roçava nos meus lábios a coragem
de insistir continuamente na viagem
e saí, feito pássaro num vôo à vida
em busca do orvalho da acolhida.

Sedento da fragrância de chuva
do exalar vermelho das doces uvas
que impregnava todo o ar, o meu ser
perdi-me na ternura de um amanhecer.

Senti na transparência do teu olhar
que eras amor, a vida, o último pousar
das minhas asas já cansadas da procura
por um abrigo à alma triste e muda.

Tu, danças firme nos meus pensamentos
tua voz feito assobio acalma o meu peito
e como chuva que cai e molha os cabelos
é teu sorriso, de um vivo e forte vermelho.

As palavras, em cálices eu sorvo da tua fonte
onde a água corre em direção ao horizonte
avançando letra a letra clareiam a escuridão
e num doido barulho fazem delirar o coração.

Tu, calor que o inverno não pode esfriar
na minha garganta és loucura a dominar
descrevendo-te, és delírio ternurento no papel
quando quero apenas te dar, a terra, mar e céu.

Se o vento bate nas vidraças, os olhos inquietos
só a ti procuram, à beira do imenso universo
onde o silêncio se perde, encoberto pelo riso
que faz de mim, somente do teu amor, cativo.

Tu, és o verso que se ergue na minha existência
nas estações que atravessam, tu és a essência
o êxtase que percorre meu sangue todo o tempo
no poema da vida, tudo que tenho fora e dentro.

Tu, és o livro aberto onde escrevo a história
abaixo e acima dos rios umedecidos de glória
afirmando e confirmando que tudo quem me deu
foi o teu sangue escorrido e mesclado ao meu.

À intimidade mais secreta do meu corpo eu voo
e sangro no ponto secreto, dizendo que o que sou
é pelo amanhecer onde eu me agarro sem me deter
que me inspira a querer muitas primaveras viver.

Eu sei que minha face nunca há de se queimar
pois te carrego feito róseo laço a me abraçar
e lentamente eu te alicio a cada novo entardecer
a te entranhar mais em mim e me estremecer.

Tu, noite de primavera, dia de outono
dos teus ramos floresceu o meu sonho
não me contenho de alegria e ao mundo grito:
Só tu és a metade de mim, o ar que respiro.

O meu corpo se sustenta na ânsia da eternidade
do momento único quando no lugar da ansiedade
eu encontro no teu, as fendas abertas do amor
e me largo perdido nas ondas do teu calor.

Tu, exato espaço onde meus anseios se perdem
amo-te perpassando os teus lábios que vertem
a calidez das águas do rio não mais escondidas
e no hálito virginal que renova minha vida.

Feito candelabro preso nos meus braços e pernas
tu iluminas e me retiras das guerras internas
mantendo minha morada aquecida o tempo todo
protegida de qualquer frio, num eterno fogo.

Tu, tentação que o tempo nunca há de extinguir
és meu pulmão onde não há mais cravos a ferir
e me fazes ofegar impulsos ardentes e amantes
e te amar de maneira completa e incessante.

Quando o frio chega e se instala lá fora
tu és a palavra que explode em amor e me molha
com sensações que nunca senti por mais ninguém
e o meu corpo depauperado, aquecido tu manténs.

Na umidade da tua boca sorvo o gosto de romã
do teu âmago, o rubor adocicado das maçãs
numa eterna sede, meu peito a estremecer
diz sem nada dizer que necessito em ti viver.

Tu, som que surge, me endoida e me queima
como sol de verão que arde na pele e no poema
tuas raízes juntas as minhas, eu cuido e envolvo
gravando nos lenhos que por ti, colinas eu movo.

Tu és neste imenso mar que aqui se espalha
estrela-do-mar que mansamente chega à praia
e te recolho em minhas palmas com amor e carinho
bebendo, neste mar-norte, teu corpo nu e cristalino.

Se o sol não chegasse aos meus lábios de apelo
morria eu naufragado nas águas do desespero
maltrapilho, perdido, sem conhecer este caminho
numa perdição humana, caído nos braços do abismo.

Hoje os sinos badalam nos meus ouvidos surdos
a cantiga que só tu podias badalar neste outubro
do teu ventre eu colho a flor do belo roseiral
quando tu me abençoas com o canto angelical.

Tu, segues percorrendo e habitando meus poros
tu, somente tu me brindaste com o canto sonoro
que me conduziu ao mais sagrado sentimento;
e na enchente deste amor gritante eu venço.

Pela noite adentro e em todos os dias seguintes
hei de ofegar na serenidade e no requinte
da linguagem da tua seara tranquila e ondulosa
onde só e somente tu és minha mulher vitoriosa.

O coração que nunca morre

Novembro 3, 2008

O coração que nunca morre
Selma Dias Paulino

É aquele que verte pureza
isento de mágoas
semelhante ao da criança
que carrega esperanças
inocência…sem lamentos…

Confia em Deus
em todo e qualquer momento
e se em sofrimento
sorri, sem desejar o mal
àquele que a ele desejou.

Um coração que ama ao próximo
acreditando que ainda há um futuro
que nem tudo se perdeu
nas areias que o tempo levou.

Um coração que renasce a cada dia
transformando provocações
em sementes de amor e paz
vendo no seu semelhante as virtudes
lembrando que os defeitos
são seus também, e assim
saber que não se pode condenar.

Um coração que não seja arrogante
e repleto de amor e amizade sincera
renove cada minuto do novo dia
em cristais de serenidade e fé.

Menino das avelãs

Novembro 3, 2008

Menino Das Avelãs
Milamarian

Menino das avelãs risonhas
no outono de caras pintadas
teus olhos de alegria anilada
amornam o âmago que sonha.

Na tenra planura se desprende
o calor dos formosos areais;
quando a rubra folha dos varais
emerge de dois qual quociente.

De Abela, fruto sumarento
tua esfera num giro resistente
moveu terra, mares e vento

e sem pesar na alma, tua lide
transpirou o fado proveniente
da noz, que a ti ora me colige.

Clausura

Novembro 3, 2008

Clausura
Lucia Morinaga

Irremediavelmente vinculada
sem limites, pelas correntes do amor
(dom maior), condição do cruel destino.

E eu choro,
ao lembrar desta alegria
o calor
a sensação de paz
o fogo.

E eu choro
incapaz de concluir
de ser e estar
no beijo
flamejando.

E eu choro,
amando sem ter vida
vendo sem tocar
respirando outro ar
abraçando
a ausência.

Poesia da Noite

Novembro 3, 2008

Poesia da Noite
Regina Tozi

Naquela tarde quando tudo escurecia
o mar avançava e a praia invadia
eu, angustiada na lágrima que corria
perguntava incerta, se a dor eu merecia.

Ria a minha cara de tão pouca alegria
a dura língua sem palavras emudecia
enquanto o estio da madrugada despia
o corpo gelado num frio que escarnecia.

Girava a cabeça numa roda vazia
desde quando o pensamento pedia
e acabada na lembrança tão temida
girava ela na tristeza acometida.

Acumulada a dor por dentro concebida
morria a voz pela saudade amortecida
matava o corpo na lembrança dolorida
morria em mim, a razão da poesia.