Verdes
Abril 24, 2008
Verdes
Regina Romeiro
Nos dias trabalho
Nas noites posso vê-lo, mas qual o quê
As noites estão riscadas por sombras
Ocultas as árvores, os frutos e as flores
Os verdes obscuros
Nada dizem são mudos
São elos rompidos os fios
Azeites em tonéis
Agora são noites vazias
Reservas dos verdes
(Verde que te quero verde)
Nas noites não mais o tenho
A desfrutar iguarias
Nas noites sou mulher
Que semeia na espera
A única imagem
Sem riscos ou sombras
Sendo nítida aflore
Da oliveira
Oferta e floreira
O Dragão!
Abril 24, 2008
O DRAGÃO!
Jorge Linhaça
Da maré, que vem e vai intermitente,
veio trazido, pelas ondas, um dragão,
que mansamente me falou com emoção,
como é estranho esse bicho chamado gente.
Querendo, finge não querer realmente
e , não querendo, luta como um leão,
como fosse vida, ou morte, ter razão,
passando a vida, sempre descontente.
Sábio dragão, que me fez parar e pensar,
quantas vezes, ao longo desta jornada,
gastei minha energia , de tanto lutar…
Correndo trôpego, no rumo do nada,
quando devia ocupar-me de amar,
semeando flores ao longo da estrada.
Não Vá Poeta!
Abril 24, 2008
Não vá poeta!
Luz Sampaio
Não vá poeta, não vá ainda não…
Não me deixe sem os teus versos
Se é nos teus versos que me deleito
E neles vivo os mágicos momentos
Não vá poeta, não vá ainda não…
Não me deixe assim nesta agonia
Se a vida é bela e cheia de poesia
E meus olhos te seguem com amor
Não vá poeta, não vá ainda não…
Não diga que tua inspiração acabou
Que não há mais palavras para tecer
Os belos sonhos de um sonhador
Não vá poeta, não vá ainda não…
Sem a tua poesia que será de mim?
Quem irá preencher esta lacuna
Em cânticos, flores e amores enfim?
Não vá poeta, não vá ainda não…
Olhe mais uma vez em meus olhos
E diga que neles agora vê refletidos
Diga o que são esses meus olhos
Não vá poeta, não vá ainda não…
Não vá sem deixar um poema teu
Não vá antes sem me mostrar
O esplendor do teu estro que Deus te deu
Não vá poeta, onde estão os teus sonhos?
Nanquim, Faim e Pergaminho
Abril 24, 2008
Nanquim, Faim E Pergaminho
Milamarian
No pergaminho o risco da cascata
do caudal de amor em verde benção,
aberta tenda de cantiga e oração
onde há um nume em colunatas.
Da fina nata irradia a essência
do nanquim e do faim de prata
que se encontram na catarata
de águas claras em evidência.
Patente lábaro no papel impresso,
do florim dourado e do emblema,
é da nobre hasta preso no destro
da pena apaziguada pelas malhas
do marfim, em derrame no poema,
e da efígie do anverso da medalha.
Encontro à Beira Mar
Abril 24, 2008
Encontro à Beira Mar
Cláudia Azevedo
Espero-te em manhã dourada
Quando a brisa ainda fria
Dissipa-se calmamente
Com os primeiros raios de sol
Caminho pela areia da praia
Ondas beijam-me os pés
Embaladas pelo vento
O meu sonho renasce
Azul tal qual o infinito
Tal qual as ondas
Para as quais não há repouso
Dia e noite meu pensamento
Não se cansa de ti
Espero que me encontres
Pois te sinto perto
Como o vento que brinca
Solto em meus cabelos
Sinto teu cheiro no mar
E em um profundo suspiro
Fecho os meus olhos
E esboço o teu rosto sereno
Tua imagem está emoldurada
Pelas mais doces lembranças
E minha vida renasce à tua espera
Fazendo-se em versos na poesia do mar
No Pântano
Abril 24, 2008
No Pântano
Regina Tozi
Rumo à solidão, pelo escuro pântano das tormentas
caminho sem esperança, sem ilusões, num tormento
e a dor que queima por dentro é fel que alimenta
a amargura nas entranhas e sombrios pensamentos.
Não há nenhum passo que eu dou, sem me lembrar
das dores tantas que tuas mentiras me fazem provar
sorvendo o sal amargo das solitárias noites do pesar
que o teu falso amor em palavras me fizeram acreditar.
E vou me afundando neste lodo que me engole aos poucos
pois as feridas abertas no meu peito ainda sangram demais
não se fecham com um pedido de desculpas nem tampouco
com mentirosas frases que hoje pra mim não valem mais.
Vou continuar neste caminho para nunca esquecer
que de gente como você eu devo me manter distante
e pode ter certeza que aos trancos eu vou me refazer
e não vou morrer no pântano do teu verso agonizante.
Renego
Abril 24, 2008
Renego
António Henrique
Renego o poema ” Perdi a Fé “
Pois a fé nunca perdi,
Apenas pé ante pé,
Algo entrou, e eu menti
Apenas de alma ausente
Mil tropeços sofria,
No coração e na mente
Só a paz eu já queria
Foi então que erradamente
Com a vida em confusão,
Feri mais que mortalmente
O meu próprio coração.
Coisas do amor
Abril 24, 2008
COISAS DO AMOR
© Reginaldo Honório da Silva
Perguntaram-me coisas do amor
Coisas que nunca senti
Ou não soube decifrar
Decifrar um olhar
Um sorriso maroto
Um beijo “selinho”
Essas coisas que esfriam a barriga
Que suam as mãos
Mãos que apertam os próprios dedos
Engoli a seco minha mudez
Dei as meninas dos olhos às pálpebras
Num demorado piscar de indecisão
Indecisão de um olhar
De um sorriso maroto
De um beijo “selinho”
E como se não ouvisse a pergunta
Dei uma gargalhada escandalosa
E deixei as lágrimas jorrarem
As coisas do amor me machucaram
Eu pensei que sabia o que era amor
Mas nunca soube o que é amar
Não falei das coisas que senti
Nem dos mistérios revelados
Nem da indecisão apática
Falei do amor simplesmente
Sem cortar as aparas da fantasia
Sem despertar de um sonho bom
Sonho de um olhar
De um sorriso maroto
De um beijo “selinho”
Perguntaram-me se eu mentia
Falei das certezas e das incertezas
Do amor de verdade ou de mentira.
Sonho de uma noite de verão
Abril 24, 2008
Sonho de uma noite de verão
Guida Linhares
Salão lotado, pessoal alegre e descolado,
eu com meu vestido decotado,
doida pra dançar, caprichava no rebolado.
Um moreno de olhos safados,
acertou na mira e me deu o recado.
- Vamos dançar tetéia, tô com um frisson danado.
Vige, contemplada com um mistério gozozo!
Ele dança pra lá de majestoso,
e também viu que meu gingado é gostoso.
Rosto coladinho, ele é um tanto arrojado,
mas que delícia dançar arroxado.
Um pedaço de mau caminho…não sai mais do meu lado!
E quando a música acabar,
vou ter que dar um jeitinho e desmaiar,
só pra ele me pegar nos braços e me carregar.
Ternamente me levar pra grama macia lá fora,
e fazer muito amor sem demora,
porque meu sonho acaba em uma hora!
Moral da estória em verdade:
O amor é sonhado em qualquer idade,
pois representa a própria felicidade!
Toda noite é assim
Abril 24, 2008
Toda Noite é Assim
Tere Penhabe
Toda noite é assim…
meu coração cigano
fica querendo fugir
para longe de mim.
eu fico olhando
e pela longa estrada
ele vai caminhando.
para numa fogueira
dança descalço
ao som de castanholas
passeia com lobos
bebe na taça dourada
que lhe oferecem
e quando penso
que se perdeu na curva
dessa longa estrada
volta correndo para mim.
Toda noite é assim…
Você Teme O Invejoso?
Abril 24, 2008
Você Teme o Invejoso?
Silvia Schmidt
Por quê?
enquanto você pesca, ele olha o rio…
O invejoso é um eterno espectador,
Pois enquanto você dorme pacílicamente,
ele perde o sono quando pensa em você.-
Você acorda e saúda o sol,
ele olha o seu bronzeado.-
Você sai para o trabalho,
ele calcula o seu salário.-
Você constrói sua casa,
ele julga a cor das tintas.-
Você estuda, tem boas notas,
ele se preocupa com esse número.-
Você conquista um diploma,
ele vive o medo do teu sucesso futuro.-
Você levanta um prédio,
ele escolhe uma janela pra pular.-
Você cura os doentes,
ele adoece por causa disso.-
Você ensina os seus alunos,
ele tenta descobrir o que você não sabe.-
Você tem a simpatia da chefia,
ele prefere chamá-lo de puxa-saco.-
Você recebe os aplausos,
ele busca saber se alguém o vaia.-
Você liga computador para serviço útil,
ele coleciona pogramas de vírus.-
O que ele realmente faz, quando faz:
Você cria, ele copia!
… ele é um eterno espectador…
…merece sua compaixão… e não o seu temor…
O Tempo da Vida
Abril 24, 2008
O Tempo da Vida
Taciana Lima
Eu vi o céu azul
De nuvem branca
E a vida criança
Eu vi o céu
Avermelhar no entardecer
E a vida envelhecer
Eu vi o céu escuro,
De estrelas difíceis de ver
Eu vi a vida morrer…
Volta
Abril 24, 2008
Volta
Ariane
Minha cama vazia
vazio é meu coração
o corpo abandonado
a espera
longa…..espera
Minha pele sente frio
minha boca ansiosa busca
as mãos tateiam tua ausência
no ar pairando
o cheiro
saudade
Minha ansia de você
da sua presença
só me restam
espaços vazios
esperanças
doces e tristes…lembranças
Onde andam seus olhos
o gosto da boca
que corpos abraças
para quem sorri
quem ouve teus sussurros
segredos….medos
Volta
vem lamber minhas lágrimas
calar o meu lamento
recolher os pedaços
aconchegar o corpo
amar
Volta
por um instante
uma noite
um dia
uma última vez
Volta
mesmo que seja
para depois
partir
O Cravo E A Rosa
Abril 24, 2008
O CRAVO E A ROSA
Jorge Linhaça
” O cravo brigou co’a rosa,
debaixo d’uma sacada
O cravo saiu ferido
e a rosa despetalada”
Conte-se em verso ou prosa,
o fim não muda em nada.
O que ambos tem sentido,
depois da briga apagada.
Canta a rosa, canta o cravo,
tocam o cravo e o piano,
desfilando desagravos,
dos cravos dos seus enganos.
Toda rosa tem espinhos,
cravos, na carne, incrustrados,
Todo cravo tem caminhos,
os pés feridos, cortados.
Fossem do cravo os espinhos
e da rosa os pés cortados,
entenderiam os caminhos,
por um e outro pisados.
Canta a rosa, canta o cravo,
tocam o cravo e o piano,
desfilando desagravos,
dos cravos dos seus enganos.
Tanto o cravo, como a rosa,
tem muito o que aprender
são almas esperançosas
cansadas d’igual sofrer
A vida dá tantas voltas,
que é dificil de dizer
por linhas retas ou tortas
o que pode acontecer.
Canta a rosa, canta o cravo,
tocam o cravo e o piano,
desfilando desagravos,
dos cravos dos seus enganos.
Se podem as duas flores,
florescer em um jardim,
esquecendo suas dores,
sob um pé de alecrim:
Quem sabe dos dissabores,
fiquemos livres enfim;
vivendo só os amores
e esquecendo o que é ruim.
Canta a rosa, canta o cravo,
tocam o cravo e o piano,
desfilando desagravos,
dos cravos dos seus enganos.
Mundo Pequeno…Este
Abril 24, 2008
MUNDO PEQUENO… ESTE
Jorge Humberto
E na vastidão, do Universo descomunal
no chicote que nos açoita a carne trivial
faminta doutras fomes, de tempos idos
é que nos damos conta, que hei, falidos
E nunca mais o povo teve sossego igual
resgatando o pão em algo sobrenatural
E todos nossos movimentos são urdidos
na vasta teia, dentre os povos, perdidos
Ai quem dera voltar à era do iluminismo
e, juntando tudo numa única e só nação
dar vazão, sem renúncia, ao positivismo
Mas o povo, é apegado demais às raízes
não aprende co o passado ou sua noção
na embocadura do rio vivem meretrizes
Amigos Distantes
Abril 24, 2008
AMIGOS DISTANTES
Nanci Laurino
Há pessoas que passam
em nossas vidas,
Acolhemos com amor,
carinho, dedicação,
Possa passar quantos
anos sejam…
No reencontro,
sentimos a mesma
emoção!
Esses são laços
Eternos,
Onde toda amizade
ficou
Guardada em um lugar…
Chamado Coração!
Um Amor Puro
Abril 21, 2008
Um Amor Puro
dos Santos
Nobre senhora
Que seduz e conduz
Fazendo de mim
Um capricho sem fim
Eu que te peço
Entre abraços e beijos
Teu sentimento, modesto ou pequeno
Pois fato raro eu tento
Tentar esquecer
Que te amo e não nego
Escrevo e me entrego
Agora e pra sempre
Aos teus doces mistérios.
Baleeiro
Abril 21, 2008
“BALEEIRO”
Milamarian
Desce o arpão num mortal lanho
fareja o mar atrás somente dela
não vê o charco onde navega,
arpéus gananciosos e gadanhos.
Abra os olhos sentinela! Ali vai ela
é fresca carne e olha o tamanho
o vil metal faz de mim tacanho,
acerto e abocanho a donzela.
Para que a mira? O alvo é certo
Não há trégua, sou dono do mar
é cria indefesa e sou eu inverso,
perverso, digo e não escrevo, vamos lá
sou “científico_carniceiro” a pesquisar,
sou arácea venenosa e tenho alvará.
Quando o homem nasce de dentro do menino
Abril 21, 2008
Quando o homem nasce de dentro do menino
Andre Luis Aquino
As historias que começam pelo fim dão essa sensação, a de que o envolvimento só causou dor e solidão. Agora sentado na beira da estrada vejo a ventania apagar meus rastros, eu que trilhei esse caminho todo enfeitiçado agora pra me sentir feliz preciso recorrer ao passado.
Dias de glória quando a nossa história ainda era só uma promessa. O melhor da festa parecia ser esperar por ela, na imaginação atingíamos notas musicais agudas, pelas palavras vindas das telas miúdas, pelas janelas abertas, pelos olhos fechando tentando conceber o ato.
E quando veio mesmo o tato a coisa pegou fogo de vez, incendiou as camas e queimaram-se os cobertores tamanha era a nossa languidez, com a boca e os sensores sensuais sendo usados como talheres, nos banqueteamos e desfrutamos de nossos sabores, pele com pele temperada pela saliva.Ela lasciva, eu libertino, é nessa hora que o homem nasce de dentro do menino.
Eu acordava sempre antes dela e ficava admirando seu corpo deitado na cama, os seios quase em repouso,a respiração calma e serena, ficava fitando seus olhos esperando que acordasse, queria que depois das nossas noites de amor eu fosse a primeira coisa que seus olhos vissem quando se abrissem na manhã seguinte.
E ela agora sumiu faz muito tempo, tempo suficiente pra que sua ausência pareça mesmo ser definitiva…